Girl Gang: Ballet vs. automobilismo. Como superei estereótipos e valorizei a minha essência

Tempo estimado de leitura: 7 minutos

“Mas você é bailarina e gosta de carros. Pode isso?”. Pode, sim. Deixa eu te mostrar!

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21 de março de 2018

Girl Gang: Ballet vs. automobilismo. Como superei estereótipos e valorizei a minha essência

21 de março de 2018 - 17:01 - atualizado em 21 de março de 2018 - 17:05

De um lado, estava a minha mãe, uma admiradora da dança, principalmente do ballet clássico, por seus movimentos leves, expressados de forma delicada. Foi aí que o sonho de ter uma filha bailarina começou a ser planejado.

Entrei no ballet com 2 anos e meio, na escola mesmo, conhecida como baby class. Mas, o sonho ainda não estava 100% completo. O objetivo de ter uma filha bailarina do Teatro Guaíra, com certeza tiraria ainda mais sorrisos e lágrimas de emoção. E lá fomos nós. Inscrição para o teste, check! O grande dia, check! O resultado, check, aprovada! Mas pera… com restrições. Eu estava com 5 anos. A idade para início dos estudos no Teatro Guaíra era com 6. Mas sem problemas, com termo de responsabilidade assinado, comecei a realizar um sonho que não era mais só de minha mãe, também era o meu!

Foram 11 anos de muito esforço, calos, suor e superações. A última apresentação, com Guairão lotado, deixou muitas lembranças boas e, claro, lágrimas e lágrimas de emoção misturadas com tristeza por estar encerrando um ciclo tão sonhado.

Mas agora, precisamos voltar ao início! Vamos lá?

Do outro lado estava meu pai, um apaixonado por carros, mecânica e automobilismo. Até já montou do zero um Ford Capri Alemão, 1963. O cara é fera, mesmo!

Cresci ouvindo histórias, detalhes e curiosidades sobre os carros. Quanto mais ouvia, mais queria saber! Dar uma voltinha de carro com ele, não era uma simples voltinha. Era uma aula sobre mecânica, funcionamento dos motores, da parte elétrica e de cada partezinha dos carros.

Comecei a demonstrar esse gosto, desde bem pequenina, quando sequer havia aprendido a falar. Meus pais perceberam isso quando peguei um paninho e fui ajudar o meu pai a lavar o carro. Imagina se os olhos dele não brilharam nessa hora!

A chegada dos 18 anos, veio acompanhada da grande expectativa que boa parte dos jovens tem: “será que vou ganhar um carro de presente?”. No dia 7 de janeiro, fui acordada com um ronco diferente vindo da garagem. Desci para ver, claro! E lá estava ele, o meu Fusca 1967, com um laço bem grande e vermelho. Preciso dizer que chorei? Cada detalhe dele me fascinou. A primeira voltinha na quadra com ele, é uma lembrança que não vai sair da minha mente.

Como todo Fusca, chegou o dia de seu batismo. Precisava dar um nome ao mais novo integrante da família! E até que, Centado era o nome dele. Isso mesmo, com C, igualzinho o “c” do Vicente, nome de meu biso, um dos primeiros apaixonados por VW da família. Sentado era o apelido dele, pois estava sempre lá, sentadinho, esperando para começar o seu jogo de cartas.

Ir aos encontros de carros antigos, se tornou um hobby e uma paixão, assim como o ballet clássico!

Cresci cercada por chaves de fenda, sapatilhas, graxa, collant, chaves de roda e tutu. Cada um deles faz parte da minha história, que levo com muito orgulho! Em um dia com as sapatilhas no pé, ralando para acertar as piruettes e aguentar firme nos adágios. Já em outro, com as mãos sujas de graxa por ajudar a trocar a bucha do amortecedor do Fusca e lavar as rodas e pneus.

Por ser mulher, ver uma leve desconfiança quando falo “sou apaixonada por carros” já virou rotina. Por que dizer que sou bailarina não gera tanta estranheza? Mas isso não me intimida. Tenho orgulho por saber explicar, seja a um homem ou a outra mulher, o que significa torque ou então como nós, bailarinas, aguentamos ficar na pontinha dos pés dando piruettes e fazendo tantos movimentos.

Para terminar, tenho que dizer: mulher, não se intimide também! Goste do que quiser que gostar, faça o que quiser fazer e deixe o seu legado. Você tem o poder de transformar qualquer coisa! Tenho orgulho de ver cada conquista nossa, por mais simples que ela seja. Vamos continuar assim, hein! :)

Gabriella Mazuroski

21 de março de 2018 - 17:01 - atualizado em 21 de março de 2018 - 17:05

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