Girl Gang: Run like a girl

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Até o começo de 1970 era proibido que uma mulher corresse, ou praticasse esportes na rua, não era "coisa de mulher", mas hoje as coisas mudaram muito. Em 2015 corri meus primeiros 5km, e a corrida me ensinou que eu posso sim fazer as coisas sozinha, me ensinou a não depender de ninguém.

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22 de março de 2018

Girl Gang: Run like a girl

22 de março de 2018 - 14:04 - atualizado em 22 de março de 2018 - 14:07

Até o começo da década de 1970 era PROIBIDO que uma mulher corresse, ou praticasse esportes na rua, pior ainda poder correr uma maratona os 42 km. Diziam que as mulheres não tinham força física para aguentar o percurso, na época acreditavam que correr era perigoso para a fertilidade, resumindo não era “coisa de mulher”. Uma das primeiras mulheres a querer mudar isso foi Kathrine Switzer, a primeira mulher a correr com um número de inscrição, e ela foi atacada pelos homens que participavam da maratona.

Hoje as coisas mudaram muito, e vem mudando...
2 de agosto de 2015 corri meus primeiros 5km em 45 minutos, sem treino, e sem nunca ter feito isso antes, assim descobri que poderia conseguir fazer qualquer coisa, desde que tivesse foco e força de vontade. Hoje já são mais que 251,2 km corridos (que eu lembrei de marcar no app), e com planos de correr minha primeira meia maratona no próximo ano, 21km.

Em todas as competições tem choro, a adrenalina existe e com ela vem um turbilhão de sensações que não tem como controlar, o choro é de alegria, é para agradecer ao universo por ter força de poder estar ali, é do sentimento de gratidão por ter terminado e não desistido, mesmo que em algumas vezes esse sentimento exista. Ninguém é perfeito e eu nem quero ser, porque é esse pensamento que sempre me faz querer melhorar.

A corrida me ensinou que eu posso sim fazer as coisas sozinha, me ensinou a não depender de ninguém.

No ano passado coloquei na cabeça que iria começar a correr 10km, mas as coisas nunca são do jeito que planejamos. Fevereiro de 2017 precisei passar por uma cirurgia, e com isso vieram 3 meses que eu deveria ficar parada, mas eu queria isso de qualquer jeito, tinha colocado na cabeça que iria correr. Com um mês de operação fui ao médico e perguntei se podia voltar a correr, na verdade eu não podia, acabei mentindo para todos que podia, que ia devagarinho e não teria problema. Então fui correr minha primeira corrida noturna, foi incrível! Mais uma vez, não tinha treinado e corri o risco de passar muito mal, mas fui, prometi que nada mais iria me parar, eu precisava daquilo (eu preciso), correr faz me sentir viva, me faz viver o presente, um passo de cada vez.

29 de julho de 2017 fiz meu primeiro treino de 10km, quando vi que tinha conseguido parei no meio da rua e gritei, gritei o mais alto que conseguia e chorei...Chorei muito, eu tinha conseguido mais uma vez, e eu sabia que ia conseguir, eu acreditei em mim, mesmo quando muita gente duvidou e disse que eu não precisava disso.

Mas nem tudo foi fácil. Nos primeiros 10km deste ano, quis desistir, fingir um desmaio, meu corpo falava "você não vai conseguir" e minha cabeça brigava falando "você vai sim, você queria isso" e consegui, cheguei em penúltimo lugar,
e lembrei que não precisava ser boa em tudo, mas podia dar meu melhor sempre.

O corpo dói, dói muito, você quer chorar, mas é POSSÍVEL, e quando a gente descobre que é possível quer ir até o último. A corrida a gente faz do jeito que a gente quiser, do jeito que seu corpo aceitar, com a vontade que a gente quiser. Corre, anda, anda, corre, corre até conseguir, para respirar... E no seu tempo, não importa se alguém faz melhor que você, e você precisou parar, não importa. A corrida de verdade acontece dentro da gente, não tem ninguém que possa fazer além de nós mesmo, então é possível se você acreditar, por isso acredite em você.

Nada vai me proibir de viver o que eu quero.
.#runlikeagirl

Eliza Peniche

22 de março de 2018 - 14:04 - atualizado em 22 de março de 2018 - 14:07

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